Missionária da Misericórdia

 

                                  MISSIONÁRIA DA MISERICÓRDIA –

Eu vou contar uma história           

Desculpem se eu errar

É a vida de uma santa

Que dá gosto de falar

De nome Maria Bernarda

Pela vida apaixonada

Com ela vamos sonhar.

 

Meus amigos e irmãos

Eu agora vou falar

Da vida de uma mulher

Nascida noutro lugar

Na aldeia Cantão Argau

Suíça, cidade de Auw,

Sua história quero contar.

 

Seu pai se chamava Henrique

Sua mãe era Catarina

Cristãos fiéis eles a batizam

De Verena chamaram a menina

Ela crescia alegre e formosa

Amava a natureza e sua flor: rosa

Pra ela Deus tinha uma sina.

 

Sua infância de travessuras

De seus pais tirava a calma

Corria e pulava pelos vales

Nas campinas e neve alva

Certo dia tropeçou e caiu

Vendo o sangue já não sorriu

Gritou: Mamãe fugiu-me ‘alma!

 

Com 7 anos frequentava

A escolinha da região

Para ela era um tormento

Caligrafia péssima então!

Elogio do professor com certeza

Se o assunto era a natureza

A melhor era a sua redação.


Garota travessa era Verena

Gostava mesmo de aprontar

A brincadeira era especial

Nem na igreja podia parar

Na criatividade ninguém a alcança:

Das mulheres atou-lhes as tranças

Pra depois ver a confusão rolar.

 

Peralta e muito esperta

Ela quis um dia saborear

Cerejas maduras e suculentas

Que a vizinha tinha no pomar

Chegou e disse docemente:

Minha maninha ‘tá doente

Ela adoraria cerejas ganhar.

 

A ideia foi bem engenhosa

Ela mesma pôs-se a gabar

Mas não esperava que a vizinha

Fosse com sua mãe falar

Sua mentira foi descoberta

Da mãe ouviu a palavra certa:

Envergonha-te, não tornes a pecar!

 

Depois deste acontecimento

Verena resolveu mudar

Nada de disparates, gozação

Queria se recolher, com Deus ficar

Brincadeiras, travessuras não mais

Mentir e rir do outro jamais

Seu coração só queria amar.

 

Apesar de suas brincadeiras

Verena era doce e sadia

Quando estava atrasada então

Apressada pra casa corria

Pedia ajuda as almas queridas

Que elas lhe dessem guarida

Pois bronca dos pais não queria.

 

 

Com 12 anos completados

Chegou o mais lindo dia

Receber Jesus: Deus e Homem

Era a sua 1ª eucaristia

Seu coração batia de felicidade

A infância ficara na saudade

Verena vibrava de alegria.

 

Quando concluiu o Primário

Moça de porte encantador

Cheia de saúde, beleza e graça

Nasceu nela o primeiro amor

Por um rapaz e com todo coração

Não sabia ele desta tal emoção

Que acalentava com força e vigor.

 

Porém passaram-se os anos

Surgiu uma mudança miraculosa

Ansiava em segredo outro Amado

Forte chama desabrochava esta rosa

O novo amado tinha um nome

Jesus Cristo, Deus – Homem

Prometeu a Ele servir venturosa.

 

Sua vida recebeu novo vigor

Através de um bonito livrinho

Que um tio lhe presenteou

De orações que fazia com carinho

Visitar o sacrário, fazer caridade

Verena desejou alcançar a santidade

Ajudando quem encontrasse no caminho.

 

Aos sábados ela jejuava

Em honra a Virgem Maria

Sua mãe não aceitava o jejum

Feito com muita alegria

Renunciava água e pão

Levava pedaços ao irmão

Fazia quase sempre todo dia.

  

Doação e amor pelos pobres

Até seu dinheiro ela dava

Simplicidade nas suas vestes

Enfeites e fitas arrancava

Foi vítima de risos e zombaria

As pessoas, a família não entendia

A quem ela tanto amava.

 

Toda a sua juventude

Foi tempo do primeiro fervor

Sentia o chamado do alto

Entregava a Jesus seu amor.

Falou aos pais sem tormento:

- Quero ser irmã, entrar no convento

Buscava isso com firmeza e ardor.

 

Com ajuda do Pe. Beda

No Instituto Santa Cruz foi admitida

O tio advertindo-a lembrou:

- Não serás feliz sem vocação, querida

Certa do queria ela resolveu

Ser religiosa, nada ter de seu

Futura esposa de Cristo era decidida.

 

Lembrança de casa a invadiu

Uma saudade terrível lhe abalou

Não queria escrever, queria vê-los

Sem conseguir conter-se chorou

Oito dias depois sabendo o ocorrido

Seus pais vieram ao convento querido

E Verena para casa retornou.

 

Em Auw havia um novo vigário

Que orientou a moça com bondade

A praticar a obediência, agradar a Jesus

Cultivando na flor a doce caridade

O espírito de Verena se fortalecia

Ser religiosa já era sua filosofia

Consagrar-se a Deus era sua verdade.

 

 

Em Altstatten era o convento

Com irmãs idosas e pobres

Era exatamente o que queria

Viver na pobreza e ser nobre

Com 17 anos lá estava ela de novo

Convento Maria Hilf orando pelo povo

Não importando o que a vida lhe cobre.

 

Os seus dias eram preenchidos

De muito trabalho e oração

Mesmo sentindo-se solitária

A perseverança ardia o coração

Deus a queria ali ela sentia

Veste o hábito franciscano, que alegria!

1868 foi cheio de emoção.

 

A Ordem Seráfica a recebia

O nome Verena foi esquecido

Ir. Maria Bernarda tornou-se

Para ela muito bem escolhido

Acolhia os conselhos com atenção

Suas palavras nasciam do Coração

Manso, humilde e dolorido.

 

Com Jesus Cristo no sacrário

Ela ficava com frequência

Unida ao Senhor, bem perto

Aumentava-lhe a paciência

Prometeu a Deus sempre servi-lo

Professando os votos sempre ouvi-lo

Realizando na vida a coerência.

 

Gostava de trabalhos pesados

Horta e campo ela cuidava

Exercício de paciência, maturidade

Com a natureza cultivava

Tanto jeito e habilidade

Foi-lhe confiada a responsabilidade

O trabalho agrícola inspecionava.

 

Como mestra de noviças

Foi lhe dada provações

Proclamava a grandeza de Deus

E agradecia as humilhações

Sua alma era livre como o vento

Das Irmãs conhecia o pensamento

Foi eleita madre de seus corações.

 

Para melhor servir a Deus

O recolhimento era a clausura

Se Irmãs se afastavam desse propósito

Madre as lembrava com brandura

Bens arrendados, vida de penitência

Fiéis a Regra com zelo e paciência

Viviam alegres e cheias de bravura.

 

O ofício divino à noite introduziu

Adoração perpétua era ritual

Jovens chegavam, a alegria da Madre

Renovou o convento no campo vocacional

Auxiliar aos pobres, podia ajudar

“Por que juntar coisas? Melhor doar”

Abalou a Igreja seu ser radical.

 

Foi no ano de 1887

Que visita-lhe um capuchinho

Chamado de frei Boaventura

Pelas Irmãs tinha muito carinho

Queria Irmãs corajosas e fortes

Para irem a América do Norte

Onde as esperava um povo pobrezinho.

 

Frei Boaventura viajou a Nova York

Pe. Pedro Schumacher encontrou

Ele era bispo de Porto Viejo

Dificuldades ele partilhou

Precisava da ajuda das Irmãs

Para evangelizar a juventude cristã

E o frei logo se prontificou.

 

 

 

Ouvindo as notícias do frei

Maria Bernarda não hesitou

Tomou a cruz de missionária

O cargo de superiora entregou

Apesar do entusiasmo ardente

Queria conhecer claramente

A vontade de Deus e rezou.

 

O bispo sentiu ter que perder

Superiora tão hábil e caridosa

Mas ela pediu sua benção

Com firmeza, mas carinhosa

Despediram-se do convento

Dia 19 de junho, não invento

E com ela 6 Irmãs formosas.

 

Viagem de navio era longa

Rumo as terras do Equador

Bernarda estava encantada

Com o mar obra do Senhor.

Recebeu do bispo a benção

Equador lhe dava saudação

Viagem a cavalo e muito calor.

 

Chegaram então a Chone

Pequena cidade do Equador

Foram recebidas solenemente

O povo estava sedento de amor

Ali havia muito a fazer

E aquela gente tinha prazer

De ouvir a Palavra do Senhor.

 

A morada era pequena

A provisória casa paroquial

Tudo miserável e descuidado

O povo de Deus era seu ideal

As Irmãs tudo limpavam

O que era possível arrumavam

Atentas e com zelo maternal.

 

 

Porém o povo ignorava

O que a religião dizia

Só pensavam em diversão

A igreja estava sempre vazia

Cadê o entusiasmo do povo?

Precisava Cristo nascer de novo?

Começaram rezando a Ave-Maria.

 

Irmã Bernarda queria um convento

E logo começou a construção

Convento Santa Clara fica pronto

Dentro a pobreza e a oração

Seu alicerce: o serviço aos irmãos

Formando bons fiéis cristãos

Para Deus as almas e o perdão.

 

A missão nem bem começou

A tristeza chegou de repente

Morre a Ir. Maria Othmara

Tendo como herança Deus pra sempre

Ir. Bernarda precisa ser forte

Confia na providência, não na sorte

Cumprem o que prometem fielmente.

 

Primeira sala de aula é primitiva

Sob as árvores que prestam favores

Mais tarde conseguem uma casa

As crianças eram seus amores

As “madres” elas as chamavam

Em todos cantos entoavam louvores.

 

Diversas eram as enfermidades

As Irmãs se esforçavam pra ajudar

Era necessário reforço da Suíça

Mais Irmãs para a missão fortificar

Maria Hilf envia 8 missionárias

Dispostas, corajosas, solidárias

Para o povo atender e animar.

 

 

 

Com a chegada de mais Irmãs

O trabalho se estendia

Cinco Irmãs em Santana

Onde uma escola fundaria

Franciscanas na simplicidade

Testemunhas da caridade

Em canoa uma casa surgia.

 

Colômbia o país vizinho

Mandara pedir solicitação

Também a Maria Hilf

Pediram reforço e oração

Madre Bernarda doente ficou

Dor no joelho à cirurgia obrigou

Sair da cama não tinha condição.

 

Começou pra Madre Bernarda

A via-sacra muita provação

Maria Hilf não consegue ajudar

Soa a sirene, estoura a revolução!

No Equador uma guerra civil

Liderada por um homem vil

Era Alfaro homem sem coração.

 

Abaixo os monges, abaixo o Cristo!

Gritavam os revolucionários

As Irmãs confiantes rezavam

A S. Miguel e seus legionários

Nada de mal lhes sucedeu

O furor do inimigo a outro se deu

O pastor de Porto Velho foi o ordinário.

 

Saíram das terras do Equador

Triste por ter que abandonar

Um povo tão necessitado

A Colômbia estava a esperar

O Bispo Biffi as acolheu

Para habitar Obra Pia as recebeu

Cartagena seria seu lar.

 

 

Provações não lhes faltavam

Já haviam tudo instalado

A Colômbia estava em guerra

O lugar precisava ser desocupado

Convento São Francisco permaneceram

Uma epidemia: irmãs adoeceram

Ir. Bernarda doente, povo preocupado.

 

Deitada numa cama rezava

Pedia ao Senhor confiante

Ninguém conseguia entender

Pois Deus a atendia num instante

A guerra civil perdurou

Depois de três anos cessou

À Obra Pia voltaram radiantes.

 

Não demorou muito tempo

Conquistaram aquela população

Da Escola Getsemani

Assumiram a direção

Colégio Biffi agora florescia

Jardim de infância e Pedagogia

O trabalho refletia fé e oração.

 

A Obra Pia foi o início

Na escola da vida primeira

Lugar para o encontro divino

A amizade luz verdadeira

Francisco ensinava a fraternidade

Amor, gentileza e humildade

Na alegria e paz hospitaleira

 

Em total pobreza franciscana

Madre Bernarda ali vivia

A sua cela era dormitório

De escritório também servia

Mais de duas mil cartas escreveu

Consciente da missão que Deus lhe deu

Fiel ao Pai e a Virgem Mãe Maria.

 

 

Visitava sempre as Irmãs

Ia a Mompós anualmente

Era a sua filial predileta

Um hospital que grandemente

Servia ao povo com amor

Ensinando paciência na dor

Aos pobres enfermos, toda a gente.

 

Dia cinco de abril de 1904

Tendo de solicitar fundações

O apoio seria a Europa

Precisava de mais Irmãs

Rosa Holenstein foi escolhida

Em Gaissau, Áustria, foi recebida

Despertando no coração vocações.

 

A nova geração missionária

Na Áustria foi concluída

Casa de formação São José

Apoiar Cartagena foi a saída

Mulheres de fé, fervorosas

No trato com todas amorosas

Nenhuma alma era perdida.

 

Em 1911 chegaram ao Brasil

Amazonas e Óbidos era o lugar

Mas as doenças tropicais

Fizeram as malas arrumar

Rumo a Quissamã partiram

De lá pra Curitiba seguiram

Outras terras foram encontrar.

 

Madre Bernarda por 9 vezes

Foi eleita superiora geral

Um fato provou a Congregação

A terrível 1ª guerra mundial.

Interrompeu-se o envio de vocações

Saudades das Irmãs, preocupações

Rezavam para a guerra ter final.

 

 

Terminando o período de superiora

Irmã Francisca foi a nova eleita

Maria Bernarda já idosa e doente

Via com alegria sua colheita

A santa missa sempre assistia

Para isso esforço não media

Importava ver a vontade de Deus feita.

 

Após uma longa enfermidade

Faleceu Madre Maria Bernarda

Dia 19 de maio de 1924

76 anos de vida apaixonada

Da Igreja filha sempre fiel

Na vivência fraterna sem “véu”

Por tudo foi bem-aventurada.

 

Simples e oculta foi sua vida

Religiosa de fé firme e destemida

Quero seguir tuas pegadas

Como filha tua e agradecida

Formando contigo um só coração

Tendo na alma pura compaixão

Esperando a eterna paz merecida.

 

Santa ela foi já em vida

Amava a todos os irmãos

Não havia nela preferências

Tratava-os sem distinção

Abençoava era calorosa

Amigável era amorosa

Maternal era o seu coração.

 

Essa bondosa mulher

Em nada desanimava

Ria com as crianças

Irmã que não se revoltava

Palavra era seu viver

Acolhia com todo o ser

Da Eucaristia se alimentava.

 

 

Roga por todos nós agora

Onde reina Jesus Cristo

Garantia de vida eterna

Até chegar o dia previsto

Pelo Papa João Paulo II

Beata em 1985

Intercede por tudo isto.

 

No dia 12 de outubro

Na Santa Sé foi aclamada

Pelo Papa Bento XVI

Ela foi canonizada

Missionária a nos guiar

Santa Bernarda no altar

Santa em 2008 proclamada.

 

Serei eternamente grata

Irmãs Franciscanas e queridas

Ligadas pela fé somos todas

Vidas que saram as feridas

Iluminados serão todos

Que chegam buscando guarida.

 

 

 

 

Irmã Silvia Cristina P. de Melo, ifmma

 

 

 

 

 

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